Romário – o medo de parar
Competir Sempre!
Demorou mas finalmente saiu o milésimo gol de Romário! Tensão, ansiedade, medo? Quais pensamentos invadiram a cabeça de Romário neste momento decisivo da vida dele? Dribla, corre, e bate para o gol mas a bola não entrava...
Mas o jogador não esconde sua preocupação com o futuro. Ele admite ter medo de tornar-se uma pessoa normal e ficar longe do assédio do público. “Muitos amigos meus que deixaram o futebol entraram em depressão e não quero que isso aconteça comigo também”, confessa o artilheiro.
Mas o que está acontecendo com o Baixinho? Para a psicóloga desportiva Ilana Levinson (CRP.05-8934), Romário está com medo de encerrar esta sua fase como jogador de futebol e não está vislumbrando uma nova oportunidade na vida dele. Ora, o tempo todo o universo está morrendo e renascendo, e conosco não é diferente. Estas mudanças, inclusive biológicas, nos dão a possibilidade de crescermos. É preciso abrir mão de umas coisas vislumbrando outras, tão satisfatórias quanto, no futuro.
Neste caso, representa uma mudança de fase na vida dele, onde novas oportunidades se fazem presentes e ele precisa se abrir para que estas novas chances possam efetivamente acontecer. É o encerramento de uma etapa na vida, uma mudança de fases onde ele precisa estar aberto a novas oportunidades. Não é um momento de perda mas de mudança, algo de bom que precisa ser vivido.
Ilana acredita que Romário tem uma forma inteligente de pensar pois está saindo do futebol por cima - um passo assertivo e muito importante para o futuro dele – parar de jogar futebol no auge da carreira. Ao longo da sua jornada, ele vivenciou acertos se tornando um profissional de ponta. Esta auto-estima de que é bom mesmo poderá levá-lo ao próximo passo que dará, utilizando esse suporte. Para tanto, é preciso que sentimentos de auto-estima sejam bem conhecidos.
Saber que ele dá certo, ele e nós já sabemos. Agora é preciso saber o como fazer dar certo ao longo dessa nova etapa, é que são elas. A questão é :”eu sei que sei jogar futebol e poderia atuar como técnico, juiz ou algo ligado a este esporte. Mas como dar certo em outras questões, em outras áreas? São perguntas que devem estar martelando os pensamentos do craque.
Seria bom que Romário tivesse alguém que tornasse transparente a ele o que fez - como ele se usou (como pessoa) para dar certo e como dar continuidade nesta forma pessoal - positiva - na nova fase da vida dele.
Na avaliação de Ilana, “ele tem uma maneira de pensar assertiva e por esta razão consegue ter atitudes assertivas também. O fato dele não querer atuar na área do futebol quando deixar a carreira de jogador pode ter relação com a sua própria dificuldade de ter limites e consequentemente colocar limite no outro.
Este é um momento em que é preciso ter muita maturidade e paz interior para se conhecer realmente a forma de pensar e agir. Como dar suporte a ele mesmo? Claro, porque até agora o que Romário fez foi inato. Foi o dom que o levou a ser o craque de futebol que é. E tudo que fazemos com dom fica fácil e leve. Não é necessário puxar da nossa consciência o como estamos fazendo. É como se ele não tivesse noção da responsabilidade que envolve a ação, ela sai e propicia uma resposta do público.
Competir para viver
Pelo perfil de Romário, observamos que ele é uma pessoa extremamente competitiva. O que o motiva é a competição, afirma Ilana. Quando ele pediu para alguns jornalistas contabilizarem os gols de sua carreira estava pensando em parar de jogar - estava relapso e desmotivado. Foi quando soube que faltavam poucos para chegar à marca dos mil gols e optou por mais este desafio. Seu objetivo – competir – aflorou para ser comparado ao rei do futebol – Pelé. Agora, ele soube que faltam apenas mais três gols em competições oficiais (além do milésimo) para se igualar a outra marca de Pelé . Pois não é que o Baixinho disse que só vai parar depois de ultrapassar a marca do rei? Haja espírito competitivo! Como saber parar com tantos desafios motivantes?
O medo de parar vem da não paixão por nada neste momento, nada para competir, neste momento o superar a si mesmo é o grande desafio. É o que faz com que ele se apaixone pela causa e se dedique à conquista.
Por enquanto, Romário acredita que terá de buscar isso fora dele quando na verdade ele terá de buscar esta força, esta motivação, dentro dele mesmo. É esta motivação que ele precisa conhecer para saber como trabalhar com ela. O atleta precisa saber como agir para entrar numa forma somático competitiva – a forma da competição. Seja em “business”, bola, mulheres etc. A competição é o “start” na vida dele, explica a psicóloga.
Romário declarou esta semana que quando parar de jogar está pensando em tirar umas férias e comandar um programa de televisão. Mais uma vez ele se mostra competitivo pois o craque argentino Diego Maradona teve um programa de televisão. Parece que ele quer buscar o caminho de seus ídolos Pelé e Maradona.
Para Ilana Levinson, “Romário não é Maradona nem Pelé, ele é muito melhor que eles. Só precisa achar a vocação dentro dele e descobrir outros ídolos que não estejam ligados ao futebol aí poderá ser um “business man”, um bom marido, um bom pai. É preciso direcionar esse lado competitivo dele para que encontre sentido e realmente se dê bem no que escolher para fazer no futuro. Romário vai precisar fazer algo que apareça. Ele precisa disso - da aprovação do público. Mas antes é necessário que se descubra primeiro, que se goste”.
Na opinião da psicóloga desportiva, “por enquanto ele reconhece o valor chave dos aplausos externos e não dentro dele próprio. Romário não está seguro dele mesmo. Ele desconhece os próprios valores, a própria capacidade. E é isso que ele precisa descobrir e se conhecer melhor para continuar a carreira de sucesso em qualquer área que optar.