Atletas brasileiros se preparam para enfrentar a vida no exterior
Os jogadores do Flamengo Renato Augusto e Paulo Sérgio (17 anos), breve poderão ser descobertos por “olheiros do futebol” e deixar o Brasil para atuar no exterior. A pergunta que não quer calar é: Como será o desempenho destes jovens? Como vão reagir lá fora? Qual será o futuro deles longe da família e dos amigos?
A grande maioria dos jovens jogadores brasileiros tem origem humilde e são transformados pela família na solução de todas as frustrações deles, sejam emocionais ou financeiras.
E o que acontece com estes jovens quando deixam suas famílias, amigos, namoradas no Brasil? Para a psicóloga desportiva Ilana Levinson, o desgaste emocional e a sensação de estar só e perdido é muito grande. Por quê isso acontece?
No primeiro momento, quando o atleta chega ao destino ocorre um misto de conquista e medo que se alternam dentro dele. É preciso que tenha consciência de que ele não está sozinho, abandonado e com uma responsabilidade maior do que ele.
Os primeiros obstáculos a sua frente são o idioma e o clima. Há dificuldade na comunicação tanto para se fazer entender como para compreender os outros.
O clima geralmente contrastante com o habitual, seja o calor da Arábia Saudita ou o frio no inverno europeu com dias curtos e de pouca luz, contribuem para levá-los a uma tristeza profunda, ao sentimento de solidão e com a tempo uma eventual depressão.
Outro ponto importante são os valores existentes na cultura do país e que geralmente são bem diferentes dos nossos, que são menos rígidos, mais latinos. Tradições, crenças, hábitos, devem ser respeitados quando somos visitantes . Em alguns casos, a pessoa pode ficar até sem se alimentar direito e vale lembrar que um atleta necessita de uma alimentação saudável e equilibrada. O tempero e o estilo da comida também são parte das diferenças culturais, o que torna a alimentação mais complicada para quem está acostumado desde criança a comer arroz com feijão.
Mas ainda existem outros problemas. A forma de treinamento e tratamento do técnico e sua equipe multidisciplinar atuarem divergem dos brasileiros. Até mesmo o calor humano existente na relação técnico e atleta não se tem a mesma intensidade. O mesmo se dá na relação com outros atletas, geralmente de culturas e crenças diferentes, que só contribuem para aumentar o sentimento de solidão do atleta.
A grande maioria dos jovens jogadores que saem do Brasil vão para outros países desacompanhados de familiares. Deixam aqui família, amigos, relacionamento afetivo etc. Esta situação vai representar ao atleta uma sensação de abandono, de estar só. “Não tem um telefone que toque, muitas vezes não dá para ligar e ficar horas a fio conversando e desabafando. E quando matam a saudade e ficam ao par dos acontecimentos, sem a participação deles ficam com a sensação de perda chegando a inveja. Ilana afirma que se não tiver o foco muito firme no que ele quer alcançar, qual o objetivo desta mudança drástica na vida dele, não vai sustentar a mudança e vai se questionar: o que estou fazendo aqui? É nesse momento que pode se dar inicio a um ciclo vicioso, de falta de motivação, queda no resultado, ficando abaixo das expectativas e gerando o medo de decepcionar e interromper precocemente uma possível carreira de sucesso. Como acontece em boa parte dos casos.
O terapeuta desportivo pode auxiliá-lo a gerenciar a ansiedade, a manter o foco no seu objetivo, a se automotivar e a dominar a insistência, a impaciência, a e mais tolerante com que o lhe é oferecido naquele país. E claro, aprender a viver um dia de cada vez com menores expectativas.
Como o psicólogo desportivo poderá auxiliar o atleta?
Segundo Ilana Levinson, o atleta precisa se conhecer intimamente, aprender a hierarquizar seus valores para manter o foco no que realmente é sua prioridade – jogar bem futebol por exemplo. Gerenciar sua ansiedade, ter paciência pois o tempo conspira a favor e facilita a adaptação. Ter tolerância no aprendizado de novos hábitos, manter vivo na mente cada treino, cada boa jogada, cada passe, e buscar aprender com os erros. Se manter atento a fim de antecipar e defender uma jogada e ter criatividade para estruturar estratégias de sucesso durante a partida. Desta forma manterá sua motivação.
Assim, tudo o que seus técnicos pedirem ele vai receber como um aditivo, um aprendizado, e o verá como parceiro, auxiliando-o a atingir mais rápido e eficiente o seu objetivo. Ao invés de receber como crítica negativa, ou repreensão. Ilana revela que o jogador deve evitar entrar em confronto, tampouco fazer comparações com o que ele já vivenciou antes. Esta atitude pode acabar levando-o a perder o equilíbrio emocional e consequentemente a não desempenhar sua capacidade dentro do que é realmente capaz.
Valores bem estruturados serão âncoras para os momentos de dificuldades, solidão, nostalgia e saudades..... O próximo passo é dar continuidade ao trabalho com clareza, determinação e persistência onde encontrará suporte para o seu objetivo de superação e sucesso ser alcançado – eu vim porque posso vencer e ser um dos melhores no que eu faço. É por aí!!!!