Para amantes de montanhismo
por Ilana Levinson
Esse texto é sobre a montanha Kilimanjaro, que fica na Tanzânia.
Estou em Mochi cidade onde todos se preparam para subir o Kili, como é carinhosamente chamada.
É impressionante o número de pessoas que se programam para esta aventura, desde pessoas solitárias, em duplas, pequenos grupos e grandes grupos patrocinados.
Nem todos são atletas, alguns eu chamaria de curiosos, com isso encontramos expectativas e motivações bem diferentes. Uns aficionados outros esperam um passeio com vegetação diferente, animais interessantes, com o pensamento de onde conseguir chegar, estará ótimo. São pessoas de diferentes faixas etárias, 80 a 22, inclusive conheci uma senhora de 80 anos que estava subindo com o filho e a neta; casais em plena forma física, casais aposentados, solitários, grupo de amigos e outros, a maioria europeus e japoneses, quase nenhum brasileiro.
Ao contratar a subida que só é possível acompanhada de guias locais, se escolhe a rota pelo grau de dificuldade, maior esforço físico e diferente conforto nas acomodações (1/2 estrela ou 1 estrela) e o número de dias, que pode ter mais um, para melhor climatização com a alta altitude.
Cada pessoa tem como equipe dois carregadores - um para pertences pessoais (roupas para muito frio e vento, o meu saco de dormir era de -18ºC) e outro para a comida, alem do cozinheiro, ajudante e o guia.
Falando de controle emocional, a um stress que ronda os lodges (hotéis) antes e na chegada do trekking, o mal da altitude, que requer muito cuidado, pois faz com que muitas pessoas passem desta para uma melhor, caso descuidem de si mesmas, não ouvindo e aceitando seus limites. (só em janeiro/2006 tiveram quatro mortes). E é por isso que o zumzumzum nos lodges é com relação à ingestão de medicamento e quando. No meu caso optei por não tomar nada nem antes, nem durante e só tomaria caso precisa-se de ajuda para descer a montanha.
Mas este clima "do mal de altitude" faz com que os aventureiros comecem a subir com um percentual de tensão, ansiedade, excitação e medo. Relacionados com a expectativa de alcançar as altas geleiras da cratera.
O controle dessas emoções e da expectativa tem que ser poderosos, pois as conversas começam sobre quem você é, de onde é, o que faz, mas rapidamente volta ao "mal da altitude", e todos tem uma opinião diferente sobre o que fazer, como tomar o medicamento... e se você acha que vai alcançar o topo com ou sem cápsulas. É interessante, pois a competição presente é sua, exclusivamente sua e da sua vaidade, e é ai que mora o perigo. Pois se você não tiver bem claro o que é importante e flexibilidade para ir adaptando seu objetivo, ao divertimento, a ousadia pode ser fatal. Pois como falei acima cada pessoa tem uma equipe de mais ou menos cinco homens e eles querem que você chegue ao topo, e caso você ache que já atingiu o seu limite, o seu topo ou ate mesmo seu objetivo por razões muito pessoais, talvez dor, cansaço ou desconforto, você precisará ser seguro e determinado, pois o incentivo só tem uma direção, para cima. O incentivo é colocado de forma suave e carinhosa "você não quer subir mais um pouquinho, a vista é linda, podemos subir e descer para climatizar melhor e quem sabe você pode tomar um remédio. Você precisa ser muito o seu melhor amigo, confiar no seu auto-conhecimento, nas mensagens que seu corpo está te dando e na sua relação de aceitação dos limites, e dizer "estou feliz, satisfeito e agradecido por ter chegado ate aqui, vamos descer"!! E neste momento ao invés de ficar num dialogo interno - devo mesmo ou será que... - se diga e sinta-se orgulhoso de si mesmo, de saber o que é bom para você, de ser determinado, de ter consciência do que realmente te faz se sentir feliz, de poder contar com você. Pois esses pensamentos dão forças para tentar uma próxima vez, nesta ou em outra montanha, e de você colocar sem vacilar para o resto da equipe e companheiros:" Por esta, está ótimo Eu atingi o meu ápice".
Esse tipo de situação se dá não só numa montanha, mas em várias situações da vida, e o se posicionar perante os que te cobram se torna mais fácil quando se está inteiro e próximo de si.