Expectativas, lesões e drogas
por Ilana Levinson
Muitos atletas se envolvem com um esporte por influência de um membro da família, um ídolo, formando uma expectativa de que através do esporte fará parte dessa família, não só recebendo carinho, elogios, atenção... como sendo um ídolo também.
Essa expectativa construída quase inconscientemente, se torna sua própria armadilha pois ela vem cheia de pré- requisitos, na maior parte, longe das suas possibilidades reais do momento. Isso porque ele se compara ‘a uma pessoa com mais experiência, mais idade, conseqüentemente maior maturidade que ele ou com expectativas de que ele realizará feitos tão bem ou melhores.
Mas a situação pode ainda piorar: quando este “ídolo” (pai, mãe ou irmão) tem influência no meio pode haver, perante a sociedade esportiva e para o próprio atleta, a dúvida sobre seu valor e esforço pessoal nessa jornada de aprimoramento como atleta e indivíduo. Com a auto–estima abalada podem surgir lesões de repetição até a busca de drogas impróprias. Inseguros de seu aprendizado, de sua capacidade e de sua atuação numa competição, o atleta tem medo de decepcionar o ídolo e a sociedade, o que acarretaria na perda dos ganhos associados a expectativa inconsciente elaborada inicialmente. Esta situação faz com que o atleta se pressione e entre em estados emocionais extremamente desconfortáveis e paralizadores.
Um trabalho psicológico de acompanhamento evitaria ao atleta passar por estes estágios e a obter respostas satisfatórias durante o seu desenvolvimento.