Individualização - Direito de Todos
24 de janeiro de 2006
por Ilana Levinson
Outro dia numa conversa com vários casais, me perguntaram por que certos filhos são tão agressivos com os pais e às vezes mais ainda com a mãe.
“Estão sempre sem paciência para ouvir o que estão querendo ensiná-los ou contar; intolerantes com suas responsabilidades; irritados com as dificuldades normais da vida cotidiana; impacientes para resolver questões que eles próprios desejam; quando respondem, falam em voz alta como se estivessem falando a quilômetros de distância; sem mencionar as escassas palavras suaves e adequadas ao assunto em questão, que se perdem no mar de expressões rudes e gírias, dificilmentes compreendidas.”
Esse é um tema que ronda a maioria das famílias. Se não é um filho é o outro, mas geralmente é o filho que se sente mais dependente desses pais ou da mãe. Na fase da adolescência e/ou jovem adulto, a diferenciação deles como indivíduos independentes dos pais é um anseio. Poder pensar e agir dentro dos seus próprios valores é importante, tanto quanto dormir a manhã toda e ficar acordado de madrugada NAS FÉRIAS.
A questão é que a aprovação dos pais com relação ao que pensam, fazem e querem, ainda é de extrema importância. O medo de magoar os pais existe e é grande, mas eles também se sentem magoados e desrespeitados, uma vez que os pais mostram falta de confiança neles. Para o jovem adulto ele já sabe se cuidar. E com certeza ele se cuida de uma forma e com princípios diferentes da que os pais entendem como se cuidar, pois os valores com relação à vida são diferentes. As experiências vividas pelos pais já mostraram o que dá certo ou não, e qual o melhor caminho e mais fácil. Mas é importante deixar os filhos aprenderem, entenderem qual a melhor maneira de se lidar com as dificuldades da vida e isso não é fácil para pais preocupados em facilitar a vida de seus protegidos.
Existe uma maneira de falar com os filhos, que não é ameaçando, chantagiando ou rogando praga do tipo: “Quando você for pai (mãe) você vai ver..." É preciso falar de igual para igual, confiante de que ele é capaz de dar conta do recado, e se não é capaz, poder dizer que tipo de ajuda gostaria. E os pais têm que saber ouvir o pedido e serem verdadeiros com o que está ao seu alcance, e colocar as suas possibilidades para os filhos. E se for o caso, pedir ajuda a um profissional da área.
Não é porque somos mais velhos, mais maduros e experientes que podemos tudo ou sabemos tudo, também temos direito a não estar dispostos a alguma coisa de vez em quando. E filhos não só podem compreender como devem aceitar as limitações dos pais.
Uma relação com sinceridade e clareza nos diálogos, nos papéis e obrigações é uma relação mais madura onde todos os componentes são levados a exercerem um papel adulto, de cooperação e responsabilidades.