O medo do novo, do começo, da mudança
07 de abril
de 2005
por Ilana Levinson
As expectativas que se criam em relação ao novo, a possível mudança daquilo que é comum, é tão maior que a realidade da própria mudança em si, em termos de tamanho, de tempo de realização, da forma como se dará e do poder que aquela mudança irá gerar, é tão ilusória quanto fantasias sexuais.
Qualquer "pequena" mudança que queira se instalar e se tornar um novo hábito, passará por um processo seletivo pessoal, onde nenhum estímulo externo, ou seja, nenhuma outra pessoa será capaz de influenciar, caso o próprio indivíduo não se faça disponível.
Todos os valores habituais têm um porquê e utilidade em nossas vidas, por isso se tornaram um valor. E para que façamos uma mudança, não precisamos desvalorizar esse valor, como se o próximo que virá através de uma mudança se fará melhor do que aquele que existia.
A expectativa de que seja sempre algo para melhor, dificulta a possibilidade de que um novo seja apenas algo novo, independente de crítica de melhor ou pior que antes, na realidade não existe a possibilidade de algo ser pior, a partir do momento que tudo vem através de experiências vividas e aprendizados acumulados, com isso temos um novo agir, uma nova forma de encarar uma mesma situação, de atribuir um novo valor para algo já existente e não um melhor ou pior, apenas "o novo" dentro do hábito.