Encarando
o desconhecido.
por Ilana Levinson
É
interessante como as pessoas vivem tão pouco o presente
ou a própria intimidade, mesmo assim tem medo de partir
para uma nova relação, encarar novas pessoas
e deixar que essas pessoas façam parte de sua vida,
expandindo um leque de amizade.
Acredito que os adventos da modernidade estejam
criando novos conhecidos, relações superficiais,
ausentando o interesse da verdadeira intimidade, da afeição
e do convívio.
Aquela
mesa grande de amigos num bar onde uma grande parte acabaria
no chão da sala de um deles, limita-se agora a um chat,
onde o português é mal escrito, dando espaço
a um novo registro lingüístico, a desculturalização
e a ausência do afeto, do tato, do calor.
Apesar
da falta da presença física, muitas pessoas
se revelam e se mostram através da tela, onde os próprios
olhos, não codificam o que o outro pensa, trazendo
a ausência de critica, liberando o tímido de
sua timidez.
Quanto
você pode confiar naquilo que você não
vê, não ouve e não conhece de fato? Um
tipo de intimidade é criada através da tela
do computador, uma intimidade muitas vezes falsa, pois o tom
da voz, a forma como a pessoa se expressa (caras e bocas)
não é realmente conhecida, mas o curioso é
que alguns relacionamentos se inciaram em uma sala de bate-papo,
provavelmente o segredo dessas duplas, tenha sido saber dosar
o limite de um relacionamento virtual para um relacionamento
real.
Vamos
encarar o desconhecido: vamos fazer contato através
da internet e depois partir para o desenvolvimento de uma
relação face a face, sentindo, vendo e ouvindo
o que até então era só fantasia.