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O Pensamento formativo no esporte
por Ilana Levinson

Objetivo

Este trabalho tem como objetivo apresentar a integração entre a Psicologia esportiva com o pensamento formativo de Stanley Keleman.

Introdução

Psicologia Esportiva

Há mais de duas décadas o surgimento do esporte como uma área de bons negócios determinou o conseqüente investimento financeiro - patrocínios - nos clubes e nas equipes "clubes-empresa". Está prática fez surgir a necessidade de um igual investimento no suporte dos atletas. Tornou-se necessário portanto, a organização de uma equipe multidisciplinar de apoio ao treinamento físico. Tal equipe é constituída por técnicos desportivos, bem como por profissionais da área da saúde, fisioterapeuta, médico, nutricionista, psicólogo, etc. Esses profissionais tornaram-se indispensáveis para garantia do retorno do investimento.


Existem duas formas de se entender a psicologia na prática esportiva - a psicologia do esporte e a psicologia no esporte, a saber.

A psicologia do esporte ocupa-se dos fatores comportamentais que influenciam o desempenho e a participação do indivíduo em qualquer tipo de atividade física, podendo ser exercícios físicos em academia, recreativo, competitivo, de manutenção ou reabilitação. Além disso, preocupa-se em como essa atividade física interfere no dia-a-dia do indivíduo. Assim sendo, é o estudo do comportamento na atividade física, com a participação da psicologia aplicada, pois recorre a testes que avaliam e analisam o comportamento antes, durante e depois da atividade física.

Já a pratica da psicologia no esporte reúne o conhecimento de outras áreas da psicologia e de outras ciências. Sua atuação é mais abrangente, sendo importante o domínio dos conceitos teóricos nos segmentos da psicologia da Aprendizagem, da Educação, Social, Clínica, da Personalidade, do Desenvolvimento, da Motivação, da Inteligência e Organizacional. Todos este fatores são levados em consideração e estudados em conjunto, por fazerem parte do indivíduo. Questões como a dinâmica pessoal, idiossincrasia, faixa etária e o meio social são considerados para viabilização de um maior rendimento.

A presença do psicólogo vem garantir um comportamento positivo, alto rendimento e resultados de maior desenvolvimento, credibilidade e estabilidade a cada ação, a cada partida.
A presença do psicólogo garantirá um resultado de alto rendimento e maior desenvolvimento, assertividade e estabilidade a cada ação / movimento durante a partida.
A atuação do psicólogo desportista envolve o trabalho com os diferentes graus de ansiedade, expectativa e pressão que o atleta vivência. Trabalha também com a organização de uma maturidade perante o compromisso com a disciplina nas diversas camadas (alimentação, ingestão de líquido, horas de sono, constância nos treinos e nos exercícios físicos e psicológicos) que propiciam uma excelência esportiva. Além disso o psicólogo irá proceder numa avaliação psicológica a fim de traçar o perfil do atleta para o estabelecimento de diretrizes motivacionais, para o aumento da autoestima, para o gerenciamento emocional, para o estabelecimento de uma conexão intrapessoal com o universo que o rodeia.


O pensamento formativo

STANLEY KELEMAN, criador do pensamento formativo, afirma que o corpo, como fonte do existir pessoal, é um processo em constante formação de si mesmo e do seu futuro.

O pensamento formativo é uma filosofia que entende o corpo como "a casa" das estruturas somático-emocional e o cérebro como decodificador dessas posturas. O ser humano vive, desde seu nascimento, uma jornada em direção a pessoalidade que implica em desenvolver uma capacidade de moldar sua próprias experiências a partir de sua corporeidade. A esta capacidade de influenciar volitivamente a si mesmo denomina-se processo formativo. O processo formativo envolve um dialogo soma - cérebro - soma, que possibilita a corporificação de novas posturas, atitudes, expressões emocionais e relações.
A capacidade que emerge da função volitiva, presente no córtex, que interage com músculos e vísceras é o que possibilita a formação de novas formas corporais e atitudes emocionais, por conseqüência novas relações consigo mesmo e com o mundo. Portanto, para Keleman a subjetividade é uma experiência corporificada, não existindo assim a dualidade mente-corpo.

A metodologia da Prática do "corpar" em 5 passos

Keleman fundamentou sua metodologia em princípios anatomo-fisiológicos que envolve o diálogo soma e cérebro.

1."O que estou fazendo?" "Qual a forma presente?"
Trazer a atenção do atleta para a sua postura, perceber a sua forma corporal.

2. "Como estou fazendo?"
Conscientemente intensificar a forma presente, dando mais tonus aos músculos. Volitivamente intensificar no seu ponto máximo em todos as partes do corpo mapeando corticalmente, reconhecendo como se usa internamente, seus músculos, órgãos, o que acontece dentro da cabeça, na garganta, no peito, no abdômen, na pélvis, joelhos... identificando seus padrões de ação, que expressa aquela forma.

3. "Como paro ou mudo o que estou fazendo?"
Desfazer gradualmente a intensidade do tonus muscular. desintencificar, afrouxar, aos poucos, pausando a cada graduação.

4. "O que acontece quando paro de fazer o que estava fazendo?"
Reconheço as respostas que emergem da nova forma.

5. "Como posso usar o que acabo de aprender/reconhecer?"

Neste momento há possibilidade de escolher uma resposta para lhe dar com o que reconheceu no passo anterior. O atleta pode decidir por uma nova forma de se usar ou permanecer na forma habitual.

Com a pratica da repetição da forma emergiu, chega-se a durabilidade, maturação e a consolidação de um novo comportamento, uma nova forma de existir no mundo, uma nova presença somática que vem reverenciar a capacidade que o atleta tem de influenciar a si mesmo, voluntariamente.

O atleta através da prática dos cinco passos pode reconhecer, tornar consciente a forma como ele se usa na sua prática desportiva e como ele poderá vir a se usar.
À medida em que reconhece a si mesmo, sua realidade interna, por exemplo reações, intensidade, ansiedade, pressão, medo, exigência, etc., antes inconsciente, torna-se passível o autogerenciamento, um comportamento voluntário, para alcançar resultado e um nível alto de rendimento.

Conclusão

Nos tempos atuais não se pode mais dissociar o corpo da mente. O pensamento dicotomizado, em que o corpo e mente não fazem parte do mesmo universo, não faz mais sentido. O físico e o mental são uma mesma unidade. E quando assim entendidos e trabalhados geram saúde e rendimento. Por essa razão, o psicólogo formativo cuida do atleta na sua totalidade somático-emocional.

Um mar de emoções, sensações novas e conhecidas, bem como resultados positivos e negativos que se obtém a cada jogada ao longo de uma partida, merecem ser estudado, reorganizados e incorporados. Uma por uma dessas vivências têm uma configuração somática, uma postura física relacionada, que é denominado de "formas corporais"; reorganizando-as, e mapeando-as corticalmente, repetidas vezes, de modo a se obter uma consolidação da nova forma, possibilitará novos resultados com maior habilidade, persistência, motivação e presença no desporto.

Cabe ao psicólogo esportivo formativo, com suas ferramentas, levar o atleta ou o time a usufruírem do rico aprendizado existente no processo de conscientização, reorganização e maturação das novas possibilidades.

 
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